sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MENOPAUSA - FISIOPATOLOGIA E SINTOMAS

                Nesse segundo texto sobre Climatério e Menopausa, abordaremos a sua fisiopatologia, ou seja, quais as mudanças pelas quais passa o organismo feminino, o porque delas e quais problemas podem advir dessas mudanças. O grande responsável pelos sintomas que as mulheres apresentam no Climatério e após a Menopausa é a redução significativa e progressiva do hormônio Estradiol durante o processo de involução dos ovários. O Estradiol é um hormônio essencial ao corpo humano feminino, com mais de 400 funções anabólicas e de reparo. Com a redução, e posterior pausa da função ovariana de produzir Estradiol, as mulheres passam a apresentar diversas queixas, tanto físicas como psicológicas.
                O Estradiol tem ações importantes do aparelho circulatório feminino, na manutenção da saúde cardiovascular da mulher. Ele auxilia:
- na manutenção da elasticidade normal das artérias,
- na dilatação dos microcapilares e manutenção do fluxo sanguíneo,
- na inibição da agregação plaquetária,
- na redução da deposição das placas de ateroma, na redução do LDL-Colesterol e na inibição da sua oxidação,
- no aumento do HDL-Colesterol,
- na redução da Lipoproteína A, da Homocisteína e da Proteína C Reativa,
- no bloqueio dos canais de Cálcio, ajudando a manter a permeabilidade arterial.
                A redução, e posterior ausência, dessas ações do Estradiol durante o Climatério e após a Menopausa podem levar a:
- aumento do risco para doenças cardiovasculares como Hipertensão Arterial, Ateromatose e Acidentes Vasculares isquêmicos,
- palidez cutânea, mais facilmente observada na face.
                Com relação aos Sistemas Ósteoarticular, Muscular e Cutâneo, são as seguintes as ações do Estradiol:
- estimula a síntese de Miosina e previne o catabolismo muscular,
- mantém as concentrações fisiológicas de Colágeno na pele, contribuindo para a sua firmeza e elasticidade,
- mantém a hidratação natural da pele,
- mantém a densidade mineral óssea.

                Consequentemente, a falta de Estradiol durante Climatério e após a Menopausa pode levar a:
- perda de massa muscular, levando a flacidez muscular e à queda progressiva da Taxa Metabólica, o que também pode contribuir para o ganho de peso por acúmulo progressivo de gordura corporal,
- flacidez da musculatura abdominal e dores nas costas,
- flacidez da musculatura da bexiga com consequente urgência urinária,
- flacidez, atrofia, redução da hidratação e enrugamento da pele,
- redução da densidade mineral óssea, com perda de massa óssea (Osteopenia e Osteoporose) levando a aumento do risco de fraturas espontâneas e/ou provocadas por traumas, e reabsorção progressiva dos ossos Maxilar e Mandibular com consequente amolecimento e perda de dentes.
                O Estradiol ajuda a melhorar a Resistência Insulínica; sua queda, portanto, leva à Resistência Insulínica elevada, com estímulo para o aparecimento de Diabetes melito do tipo 2, Sobrepeso e Obesidade, acúmulo de gordura visceral e aumento do Risco cardiovascular.
                O Estradiol atua no Sistema Nervoso Central (SNC), ajudando a regular a temperatura corporal; sua deficiência leva ao aparecimento dos "fogachos" (ondas de calor súbitas e incontroláveis que ocorrem durante Climatério e até alguns anos após ocorrer a Menopausa).
                Em relação ao SNC, outras ações desse hormônio são:
- melhora o fluxo sanguíneo cerebral,
- estimula o sono REM 2,
- aumenta a produção dos NGF (Nerve Growth Factors),
- melhora o humor e eleva a capacidade de concentração,
- é um poderoso indutor da síntese de Serotonina, eliminando a irritabilidade e agindo como antidepressivo e ansiolítico,
- reduz a sensibilidade à dor.
                Sua falta, portanto, pode levar a:
- alterações do humor, com tendência a Depressão e/ou Irritabilidade,
- insônia ou sono leve, interrompido e não reparador,
- lapsos ou déficit importante de memória, redução das habilidades motoras finas e da criatividade.
                O Estradiol é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários da mulher e também auxilia na manutenção da libido e da sensualidade feminina. Sua queda leva a:
- flacidez (queda) e achatamento das mamas,
- diminuição e achatamento dos mamilos,
- pelos corporais e púbicos se tornam mais grossos e escuros,
- perda de volume e redução do brilho dos cabelos,
- ressecamento e atrofia da mucosa vaginal, que pode levar a Dispareunia (dor ou desconforto durante as relações sexuais) e prurido vaginal,
- alteração da silhueta corporal, com perda do padrão de deposição de gordura corporal feminino (ginecóide) e mudança para um padrão de distribuição de gordura mais masculino (andróide), com afinamento de coxas e quadris,   alargamento da cintura, e face menos arredondada e mais angulosa.
- alteração do timbre de voz mais suave e agudo, feminino, para outro mais grave, masculino.
                 Continuaremos a falar sobre a Menopausa no próximo texto, que abordará o seu tratamento.

                   Paz e Saúde para todos,
                                                    Paula Figueirêdo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

EXISTE "VIDA" APÓS A MENOPAUSA?


            Embora esse texto esteja voltado basicamente ao público feminino, é importante que os homens o leiam, se tiverem interesse em obter maiores informações e uma melhor idéia do organismo e do Universo femininos e de como os hormônios interferem neles. Desejo a todos uma boa leitura.

                Na realidade, para fazer jus a esse texto e a nós, mulheres modernas e batalhadoras, seria melhor o título Existe "vida" antes de e após a Menopausa? A mulher de hoje tem uma vida realmente corrida, na falta de um termo que melhor descreva o nosso cotidiano. Nós, mulheres, somos treinadas, adestradas mesmo, desde a infância, a realizar atividades múltiplas durante várias horas do dia. Quando na adolescência, a essas horas diurnas somam-se mais algumas horas noturnas de atividades variadas. E assim, quase sem percebermos, os anos vão passando. As atividades mudam. A escola cede lugar à Universidade e, então, ao mercado de trabalho. Das aulas de educação física, esportes e dança na escola, passamos a frequentar academias de musculação, estúdios de Pilates e quadras de vôlei, tênis, ou vamos simplesmente caminhar ou correr alguns dias na semana. Ou, para as mais "zen", aulas de Yoga ou Tai Chi.

             Enfim, crescemos. E as atividades, também. Os compromissos só aumentam. Aí, conhecemos alguém interessante, nos apaixonamos e resolvemos casar. Então vêm os filhos, a responsabilidade de cuidar de uma casa e precisamos "dilatar" mais ainda o nosso dia para dar atenção ao marido e aos filhotes. Mas as mulheres são realmente fortes e "multifuncionais". E precisam ser, já que agora a rotina envolve o trabalho, os filhos, o marido, a casa, a academia, os pais, irmãos, sogros, cunhados, sobrinhos, netos, às vezes uma grande família, amigos, etc. E ainda precisamos achar tempo (não sei como) para acomodar os acontecimentos imprevistos e a vida social. Pasmem, ainda conseguimos ter vida social! 

                Nunca fui muito boa em Matemática, mas nem é preciso ser, para perceber que é necessário sacrificar alguma coisa na nossa vida, de modo a poder acomodar tudo o que é necessário, ou que consideramos importante, fazer no nosso dia-a-dia. O que nós costumamos sacrificar, e perder, é geralmente nessa ordem: as horas de lazer, os horários reservados para as refeições com a família e as horas noturnas necessárias para um sono reparador. Nos tornamos mulheres-robôs, mais ou menos eficientes; acordamos pela manhã, pulamos da cama (algumas literalmente se arrastam penosamente para acabar de acordar debaixo do chuveiro gelado), engolimos alguma coisa (ou não), engatamos o piloto automático e, lá vamos nós. Damos um beijinho no marido, levamos os filhos para a escola, mergulhamos no trabalho, pulamos o almoço (algumas de nós ainda conseguem almoçar, outras só lancham, e outras, nem isso), pegamos os filhotes na escola (ou pedimos a alguém para fazer isso por nós), voltamos a trabalhar e, quando encerramos o expediente... voilá! levamos mais trabalho para casa. E não podemos esquecer da academia,  senão "cai" tudo!
 
                 A noite realmente é um show à parte, o malabarismo da vida real, digno dos melhores artistas circenses, onde temos que equilibrar a atenção aos filhos, ao marido, à casa, à refeição (talvez), ao trabalho e, se sobrar um tempinho, dormimos um pouco para nos preparar para um novo dia (que de novo não tem nada) onde repetiremos tudo e ainda encaixaremos qualquer coisa que não conseguimos fazer no dia anterior. Fiquei cansada só de descrever a cena! Peço licença para divagar um pouquinho, contando uma história que ilustra bem o malabarismo da vida real. Eu tive uma paciente, há alguns anos atrás, de quem eu confesso que tinha uma grande inveja (branca, claro) do seu grau de doação (e também de energia). Ela chegava em casa no final de um dia corrido e de muito trabalho (era engenheira civil e acompanhava o andamento de diversas obras), dava o jantar para as duas filhas pequenas, tomava banho junto com elas, vestia o pijama e deitava com as filhotas, contava historinhas e rezava com as meninas, e as colocava para dormir, ficando deitada com elas até que as mesmas caíssem no sono, por volta das 20, 21 horas. Então, ela se levantava, trocava de roupa e ia malhar na academia. Dá para imaginar a cena? Eu lembro de ter perguntado o porque de tudo isso e de ela me responder, na maior simplicidade, que não queria que as filhas pensassem que ela estava longe delas enquanto elas dormiam. Não tenho palavras que façam justiça à capacidade de doação dessa mãe e mulher.

                É incrível, inverossímel até, mas nós vivemos assim. Temos energia para levar a vida dessa maneira acelerada sentindo, às vezes, não mais que um pouco de cansaço, algum desconforto, uma dorzinha aqui, outra acolá. E isso por vários e vários anos. É a nossa vida e achamos normal vivê-la assim. Os anos passam e nós continuamos firmes, fortes e prontas para "ir à luta", algumas com um pouco mais, ou menos, de vigor que outras. Mas uma das Leis da Natureza é a da Impermanência e, assim, as coisas mudam insidiosamente ao longo dos anos. 

                Outra coisa que nós perdemos, e que eu omiti propositadamente acima, é a noção do Tempo. Não do diuturno, de curto prazo, como dia e noite, dias e semanas. Mas o de longo prazo, a contagem dos anos. Enquanto nos envolvíamos (ou, para algumas de nós, nos revolvíamos) na nossa rotina "fórmula 1", o tempo passou. De repente, não nos sentimos mais tão fortes ou motivadas, ou tão firmes e equilibradas. Começamos a sentir cansaço fácil, a memória começa a falhar, passamos a dormir menos (não por falta de tempo, mas por falta de sono), a nossa paciência é drasticamente reduzida, o nosso corpo começa a mudar (parece que quanto menos comemos, mais engordamos), podemos nos sentir melancólicas e desanimadas. A maioria de nós pode associar esses acontecimentos ao Estresse Crônico (o que, de fato, pode ser verdade em muitos desses casos), mas muitas mulheres só se apercebem que o tempo realmente passou quando os ciclos menstruais começam a sofrer alterações. No início, podem ser alterações discretas e passar desapercebidas, mas elas evoluem até que os ciclos mensais começam a falhar. É o sinal característico da chegada do Climatério, arauto da Menopausa.

                Mas, o que é Climatério? E Menopausa? Porque ela, se ainda não chegou para várias de nós, vai inexoravelmente chegar? E, mais importante, como conviver, e viver bem, com as mudanças trazidas pelo Climatério, e após passar pela Menopausa? Sim, porque não é absolutamente necessário sofrer os mal-estares ligados a essas mudanças passivamente. Podemos, e devemos, tratar esses sintomas e manter nossa Saúde e Bem Estar, mesmo sendo senhoras "menopausadas".

                Dizer que o Climatério e a Menopausa acontecem porque envelhecemos é um modo simplista de colocar os fatos, já que começamos a envelhecer bem antes disso, mas é a verdade. Vamos tentar entender as mudanças que acontecem internamente em nossos organismos, que levam a esse "divisor de águas" em nossa qualidade de vida.

                Nós produzimos vários hormônios, substâncias que funcionam como sinalizadores químicos para que os nossos órgãos possam exercer suas funções fisiológicas, ou seja, de modo equilibrado. Alguns desses hormônios são o Hormônio Folículo Estimulante (FSH), o Hormônio Luteinizante (LH), os Estrogênios e Progestogênios que exercem, entre outras funções, as de manter e regular os ciclos menstruais. A Hipófise, uma pequena glândula neuroendócrina localizada no cérebro, produz o FSH e o LH, enquanto os ovários respondem a esses estímulos produzindo Estrogênios e Progestogênios. Vamos simplificar esse detalhe nos referindo, a partir de agora apenas ao Estrogênio e ao Progestogênio principais para a construção do nosso raciocínio: o Estradiol e a Progesterona.

                Não vamos entrar em detalhes sobre o ciclo menstrual, para não alongar desnecessariamente o texto. Podemos resumir dizendo que Estradiol e Progesterona têm a função de preparar o útero para receber um óvulo fecundado por um espermatozóide (chamado, a partir de então, de ovo) e desenvolver uma gestação. Para isso, o endométrio (camada interna do útero) se espessa e fica repleto de vasos sanguíneos (ação do Estradiol), para garantir que o óvulo fecundado possa aí se desenvolver e gerar um novo ser (ação da Progesterona). Quando a fecundação não ocorre e a mulher não engravida, sinais químicos ordenam a queda da Progesterona, o que causa o colapso e a ruptura dos vasos sanguíneos no endométrio, e o seu descolamento e posterior eliminação através do canal vaginal, processo conhecido como menstruação. Esse ciclo se repete mensalmente, em períodos mais ou menos regulares, durante a nossa chamada "vida fértil", iniciando com a Menarca (primeira menstruação, marca o início da puberdade) e finalizando com a Menopausa. 

                Bem, a partir dos 30 anos de idade, embora não nos apercebamos, começam a ocorrer discretas alterações na produção desses hormônios e, então, iniciamos o processo lento e inexorável de envelhecimento celular. Esse processo ocorre em todos os órgãos e glândulas do corpo gerando, com o tempo, sinais internos e externos da queda das suas funções. Falando em particular sobre os ovários, como temos uma reserva funcional geralmente boa, essas alterações podem se desenvolver por até duas décadas antes de percebermos os sinais físicos da sua senescência, ou seja, as alterações no ciclo menstrual. O Climatério é justamente esse período, onde aparecem as alterações nos ciclos mas nós permanecemos menstruando, pois os níveis dos hormônios Estradiol e Progesterona já estão alterados o suficiente para que os ciclos fiquem irregulares.

                As alterações laboratoriais que caracterizam essa fase da nossa vida são a elevação progressiva dos hormônios hipofisários FSH e LH, e a queda, também progressiva dos hormônios ovarianos Estradiol e Progesterona.

                O Climatério pode durar vários anos, dependendo da velocidade de envelhecimento dos ovários, podendo se extender dos 45 até os 55, 60 anos de idade. Durante essa fase, os ovários vão perdendo lentamente a capacidade de produzir seus hormônios até finalmente atrofiarem e pararem de funcionar. A mulher tem, então, a sua última menstruação fisiológica, que é a Menopausa.

                Embora a principal característica da Menopausa seja a ausência de ciclos menstruais, esse não é o problema mais importante (na realidade, para a maioria de nós, mulheres, a ausência das menstruações é até bem vinda). As mudanças fisiológicas que ocorrem durante o Climatério e após a Menopausa, e que podem predispor ao aparecimento e/ou agravamento de diversas patologias, é que são o verdadeiro problema.

           Segue aqui uma breve relação dos sinais físicos e psicológicos relacionados ao Climatério e à Menopausa, os quais serão explicados mais detalhadamente no próximo texto:

                - irregularidades menstruais

                - alterações da libido

                - alterações do humor

                - alterações do contorno corporal

                - alterações do padrão de sono

                - ondas de calor

                - atrofia dos órgãos genitais primários e secundários

                - sinais externos de envelhecimento acelerado

                No próximo texto veremos as principais ações fisiológicas dos hormônios Estradiol e Progesterona e o que ocorre conosco quando não os produzimos mais, assim como a importância da sua reposição e os métodos mais indicados atualmente.

               Até o nosso próximo encontro.

               Um grande abraço para todos(as) e votos de Saúde e Paz,

               Paula Figueirêdo.


              

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

ALIMENTOS QUE AUXILIAM NO COMBATE AO CÂNCER II


O Câncer é uma doença (ou grupo de doenças) degenerativa que atinge mais e mais pessoas a cada dia. É uma doença que não escolhe, nem poupa, raça, sexo ou idade; qualquer pessoa pode vir a desenvolver um Câncer. Crianças, jovens, adultos ou idosos, mulheres ou homens, brancos, negros ou asiáticos; somos todos suas vítimas em potencial.
Muito se tem estudado sobre o Câncer, na heróica tentativa de vencê-lo. Ao longo do tempo, descobriu-se que fatores ambientais (como exposição crônica a ambientes poluídos no nosso local de moradia e de trabalho), alimentação e hábitos pessoais (bebidas, cigarro) podem se somar, e verdadeiramente se somam, à nossa herança genética para determinar se vamos, ou não, desenvolver um Câncer em algum momento de nossa vida.
A Ciência tem avançado em direção à cura de diversos tipos de Câncer, mas inúmeras vidas ainda são ceifadas, muitas vezes cedo e de modo rápido e traumático. O que podemos fazer para tentar mudar esse triste quadro? É certo que, como leigos, não sabemos tratar o Câncer, mas poderíamos ajudar a preveni-lo, ou retardar o seu avanço? Poderíamos, e podemos. Podemos iniciar prestando uma maior atenção ao nosso histórico familiar, evitando ou reduzindo nossos hábitos nocivos, cuidando melhor da nossa alimentação (e do nosso meio ambiente) e nos protegendo com maior eficácia dos poluentes ambientais. Nesse texto, continuaremos a falar sobre como certos alimentos (e seus nutrientes) podem ser nossos importantes aliados no combate ao Câncer, mas falaremos primeiro dos perigos por trás da alimentação moderna e sua ligação potencial com doenças degenerativas como o Câncer.
Os hábitos alimentares modernos trazem à nossa mesa uma enorme quantidade de alimentos industrializados, inegavelmente práticos e saborosos, mas que levam em sua composição várias substâncias, necessárias para conservar o alimento por mais tempo e realçar seu sabor. Essas substâncias, se consumidas continuamente e em excesso, podem causar uma grande quantidade de problemas de saúde. São os corantes, conservantes, aromatizantes, acidulantes, espessantes e adoçantes artificiais; produtos químicos estranhos ao nosso organismo e potencialmente lesivos ao nosso equilíbrio bioquímico.
Segundo Gildete Fernandes, nutricionista e chefe do serviço de Nutrição do Hospital Português, uma alimentação balanceada e saudável é uma medida essencial na prevenção e tratamento do câncer. Se não fornecemos ao nosso corpo os alimentos corretos e na quantidade adequada, ele passa a utilizar os nutrientes que estão armazenados como fonte de energia. Como resultado, as defesas naturais se enfraquecem, e não conseguimos nos defender das agressões resultantes do nosso estilo de vida (ver acima a referência a hábitos), elevando os riscos de desenvolver doenças crônico-degenerativas. Segundo a especialista, existe uma relação entre alimentação e o aparecimento do câncer. Alimentos com alto teor de gordura estão relacionados a uma maior incidência de Câncer e alimentos defumados e salgados são fatores de risco para câncer de esôfago, estômago e pulmão (por serem preparados à base de fumaça, os defumados possuem uma substância com alto potencial cancerígeno: o alcatrão, resíduo sólido da fumaça, também presente no cigarro).
Várias pesquisas apontam para o risco de dietas muito calóricas no desenvolvimento de Câncer: essas dietas, geralmente associadas a uma alta ingestão de carnes vermelhas, gorduras e leite, podem estar relacionadas ao aumento do risco de câncer de próstata, pois os Estrogênios, que causam inflamação prostática, depositam-se e acumulam-se no tecido gorduroso.
O refrigerante contém elementos tóxicos para o organismo que são considerados carcinógenos, como o ciclamato de sódio e o benzeno. Embora sejam substâncias de efeito lento, podem aumentar probabilidade de desenvolvimento da doença devido ao elevado consumo de refrigerantes na atualidade, difundido quase universalmente.
Voltando à fisiopatologia do Câncer: enquanto eu estou escrevendo esse texto, várias células estão se dividindo no meu organismo. Isso é necessário para a substituição de células envelhecidas e/ou lesadas que morrem diariamente, de modo a manter a integridade física e funcional do meu corpo. O mesmo ocorre no seu corpo, e no de todas as pessoas vivas. Bom, várias coisas podem dar errado durante essa divisão celular (infelizmente, esse assunto é muito longo e foge ao escopo desse texto), levando ao aparecimento de células defeituosas ou, para falar de forma mais clara, cancerígenas. É verdade. Formamos, com relativa frequência, células cancerígenas como subproduto do nosso metabolismo. Então, porque algumas pessoas não desenvolvem um Câncer? E porque ele é mais comum nos idosos? Ambas as perguntas têm a mesma resposta: o nosso sistema de defesa (nossa capacidade de imunidade) patrulha constantemente o nosso corpo e destrói essas células sempre que as identifica. Isso significa que o Câncer ocorre por uma falha do sistema de defesa em reconhecer e destruir uma célula defeituosa, dando a ela a oportunidade de "crescer e se multiplicar"? Sim, é exatamente isso que acontece. Se as nossas defesas falharem em reconhecer e/ou destruir as células anômalas que produzimos, elas vão se reproduzir e levar a um Câncer. E mais, as nossas defesas podem falhar por vários motivos: podemos produzir muitas células defeituosas em um dado momento e por razões várias (estresse, exposição a radiação, hábitos nocivos, outras doenças em curso no organismo, etc) e ultrapassar a capacidade do corpo para lidar com elas; ou o nosso sistema de defesa pode falhar for faltarem nutrientes essenciais ao seu bom funcionamento; ou esse sistema pode simplesmente envelhecer, como ocorre com os outros órgãos e sistemas do nosso organismo com o passar dos anos.
É aqui que entram em cena os alimentos que ajudam a combater o Câncer. Eles podem atuar reduzindo as lesões celulares causadas por radicais livres e, assim, reduzindo a necessidade de divisão e reprodução celular. Ou podem melhorar a função e a resposta da nossa polícia interna, nosso sistema imune (ou de defesa). Podem ajudar a prevenir o Câncer e, também, atuar como terapia adjuvante nos tratamentos médicos convencionais. Vamos listar a seguir algumas dessas substâncias (uma lista completa demandaria muito espaço) que auxiliam no combate ao Câncer, e os alimentos que as contêm.
               - Antioxidantes - São substâncias de diversos grupos químicos (vitaminas, minerais, enzimas, fitoquímicos) capazes de interceptar e neutralizar os radicais livres gerados pelo metabolismo celular ou por fontes exógenas, impedindo o seu ataque sobre estruturas celulares e intra-celulares, evitando a formação de lesões e perda da integridade celular. O estresse oxidativo (produção de radicais livres) tem sido frequentemente relacionado às fases de iniciação e promoção do processo de carcinogênese. As enzimas antioxidantes, que antagonizam esse processo, podem prevenir o aparecimento das lesões celulares e, consequentemente, do Câncer. Os principais agentes antioxidantes são: Vitamina A e Betacaroteno, Vitamina C, Vitamina E, Selênio, Zinco, Manganês, Cobre, Glutation, L-Cisteína, proteínas plasmáticas, as enzimas antioxidantes e de reparo, flavonóides, curcumina.

- Betacaroteno - Nutriente antioxidante, auxilia o organismo a restaurar lesões celulares produzidas por agentes oxidantes (radicais livres). Encontrado na abóbora, cenoura, tomate, caqui, couve, espinafre, brócolis, beterraba, batata-doce, manga e mamão. Por combater radicais livres, auxilia a combater os mais variados tipos de tumor.
- Sulforafane - Tem ação antioxidante e aumenta a resistência do organismo. Encontrado em brócolis, repolho, couve-flor, couve-manteiga, couve-de-Bruxelas, rúcula e espinafre.
- Fibras - As fibras insolúveis percorrem o trato gastro-intestinal, particularmente o intestino grosso, limpando-o de impurezas e toxinas que podem ficar aderidas às suas paredes, reduzindo a absorção de parte da gordura alimentar e acelerando a velocidade do trânsito intestinal reduzindo, assim, o tempo de contato entre substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas (como defumados e frituras) e a mucosa intestinal, protegendo o intestino grosso. Quando os alimentos carecem de fibras, ficam retidos muito tempo no cólon, causando processo irritativo e inflamatório na parede intestinal e aumentando a possibilidade de câncer nesta área, além do que o excesso de gordura intestinal estimula na vesícula biliar um aumento na formação de ácidos que, ao acumularem-se, podem ser cancerígenos. Como as fibras reduzem a absorção de gorduras e substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas, protegem não apenas vesícula biliar e intestinos, mas todo o nosso organismo. Já as fibras solúveis são fermentadas durante a digestão e dão origem ao ácido butírico, que inibe o crescimento de células malignas. As fibras são encontradas em várias frutas, verduras, legumes e cereais integrais, como couve-flor, ervilha, goiaba, maçã, melancia, pepino-japonês, aveia, arroz integral e o trigo integral.
- Licopeno - É um carotenóide e um potente antioxidante. Combate a formação de radicais livres impedindo que os mesmos lesem e danifiquem as células normais do nosso corpo, além de melhorar o funcionamento dos linfócitos (células de defesa do nosso corpo). É um poderoso auxiliar na prevenção contra tumores, especialmente de próstata, pulmões e estômago. Encontrados no tomate, extrato de tomate, molho de tomate, melancia, morango, goiaba, pimentão e beterraba.
- Ômega 3 - Os ácidos graxos poli-insaturados Ômega 3 de cadeia longa eicosapentaenoico (EPA) e docosahexaenoico (DHA), presentes nos peixes ricos em gordura e no óleo de peixe, podem ter impacto no câncer. Experimentos com animais, estudos in vitro e ensaios clínicos demonstram que eles podem inibir a carcinogênese, retardar o crescimento de tumores e aumentar a eficácia da radioterapia e de várias drogas quimioterápicas (Carmo MC, Correia MI. A importância dos Ácidos Graxos Ômega-3 no Câncer. www.inca.gov.br). Experimentalmente, ele é poderoso contra o câncer de mama e pode auxiliar no combate ao câncer de próstata e ao de intestino. Encontrado em peixes marinhos, como salmão e sardinha.
- Resveratrol - Poderoso antioxidante que inibe a formação de radicais livres. Parece reduzir o crescimento de tumores por impedir a produção de substâncias pró-inflamatórias que estimulam o crescimento das células tumorais, além de atuar dentro da célula e na membrana que a envolve, impedindo a angiogênese, ou seja, o crescimento de novos vasos sanguíneos por onde o tumor se espalha. Encontrado na uva, suco de uva e vinho.
               - Quercetina - A quercetina é o principal flavonóide presente na dieta humana. Muito se têm estudado a respeito das propriedades terapêuticas dos flavonóides, principalmente da quercetina, nas últimas décadas. Esses estudos destacam o seu potencial antioxidante, anticarcinogênico (reduz o risco de Câncer no estômado, fígado e pulmão, principalmente) e seus efeitos protetores nos sistemas renal, cardiovascular e hepático. A cebola, maçã e brócolis são as principais fontes de quercetina.

               - Ácido Elágico - É um polifenol e está associado à coloração vermelha das frutas. No meio científico, já é conhecido por seu mecanismo antioxidante ou de antienvelhecimento. A literatura internacional também relaciona o ácido elágico com a diminuição do risco de malignidade de tumores de esôfago e do intestino. Nesses casos, ele atua induzindo a mortalidade das células cancerígenas pelo estímulo da ação de enzimas detoxicadoras – que removem células cancerosas. Estudos mostram que o ácido elágico, tem sido efetivo também na prevenção do desenvolvimento do câncer induzido pelas substâncias do cigarro (Castonguay et al., 1990). Encontrado na cereja, na framboesa, nas nozes, na amora, no morango e na uva.

               - Epigalocatequina galato - As catequinas pertencem a um grupo de polifenóis encontrados nas folhas de Camellia sinensis. Estudos in vitro encontram-se bem avançados, mostrando possíveis mecanismos de ação contra o câncer, em todas as etapas do desenvolvimento da doença: iniciação, promoção e propagação (DREOSTI, I.E. Bioactive ingredients: antioxidants an polyphenols in tea. Nutr. Rev., v. 54, n. 11 (Part II), p. s51-s58, 1996). Vários estudos atuais, utilizando catequinas isoladas de seus extratos, mostram a atividade antioxidante de epigalocatequina galato e a inibição do crescimento e secreção de fetoproteína por hepatomas humanos. Outros estudos mostram que este composto impediu o crescimento de tumores de fígado e intestino. Encontrada nas folhas da Camelia sinensis e seus produtos - chá verde e chá preto.

               - Gingerol -  Estudos anteriores já mostraram que a substância (6)-gingerol possui interessantes atividades farmacológicas, tais como efeitos anti-inflamatórios, antihepatotoxicos e cardiotônicos. Mas recentemente foi descoberto que essa substância inibe a adesão celular, invasão, motilidade e metástase das células cancerosas mamárias da linhagem MDA-MB-231, da mama humana (Lee HS, Seo EY, Kang NE, Kim WK.,[6]-Gingerol inhibits metastasis of MDA-MB-231 human breast cancer cells.). Encontrado no Gengibre, um dos condimentos mais frequentemente consumidos, inclusive como auxiliar no emagrecimento, em todo o mundo.

               - Curcumina - É um fitoquímico que possui uma série de efeitos na prevenção e no tratamento do câncer. Por inibir vias de sinalização, transdução e transcrição, possui potente efeito no câncer como antiproliferativo, apoptótico, antiangiogênico e antimetastático.   Estudos in vitro mostram que a curcumina suprime a proliferação de células tumorais em vários tipos de Câncer: carcinoma de mama, carcinoma de cólon, carcinoma de próstata, carcinoma de pulmão, carcinoma basocelular, melanoma, leucemia mielógena aguda, leucemia de células T e linfoma de células B. Encontrado na raiz do açafrão-da-Índia, conhecida no Brasil como açafrão da terra ou gengibre amarelo.


               - Indol - 3 - Carbinol - É um fitoterápico antineoplásico que diminui os estrógenos na circulação sanguínea impedindo o aparecimento de células cancerígenas que dependem desses hormônios para crescer. Tem efeitos benéficos comprovados em neoplasias humanas como o câncer de mama, neoplasia vulvar intra-epitelial e displasia cervical. Vários estudos comprovam a sua eficácia em suprimir, em várias extensões, a proliferação de alguns tumores incluindo; mama, próstata, endométrio, colo-retal, leucemia mielóide e linfoma de células T em adultos. Encontrado nos vegetais crucíferos como couve-flor, repolho, brócolis, couve-de-Bruxelas e couve.

Resumindo, os alimentos, embora não façam milagres, contribuem bastante para o combate do câncer. Em virtude dos nutrientes que possuem, conseguem proteger, em graus que dependem do nosso estilo de vida, as células do organismo dos problemas provocados por substâncias cancerígenas. Assim, é essencial, na prevenção e combate aos diversos tipos de Câncer, não apenas consumir frutas, verduras, legumes, cereais integrais, alimentos ricos em fibras e antioxidantes, como também evitar consumo excessivo de bebidas alcoólicas, refrigerantes, alimentos industrializados (repletos de substâncias químicas estranhas ao nosso corpo) e alimentos gordurosos.
Por último, um lembrete importante. Para pessoas nas quais o Câncer já foi diagnosticado, essa abordagem nutricional e fitoterápica pode atuar de modo complementar, não excluindo, em momento algum, a necessidade de um acompanhamento com um médico especialista na área de Oncologia; tampouco exclui, obviamente, a necessidade do tratamento médico convencional mais adequado a cada caso.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

COMO OS ALIMENTOS AJUDAM NO COMBATE AO CÂNCER

    O câncer é uma das principais causas de mortalidade a nível mundial. De fato, essa doença está sendo considerada, na atualidade, uma epidenia de gigantescas proporções. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, salvo qualquer intervenção, 84 milhões de pessoas morrerão de câncer entre 2005 e 2015. O número é alarmante, mesmo para os mais pessimistas.

    Apesar das inúmeras descobertas da ciência no combate aos tumores malignos nas últimas décadas, os casos de câncer vêm se alastrando pelo mundo a fora com tal velocidade que chega a assustar a comunidade científica, os governos dos diversos países e a sociedade leiga. Pelo lado humano, o diagnóstico e posterior tratamento dos diversos tipos de câncer cobram um preço elevado, tanto fisica como psicologicamente, ao paciente e à sua família. Pelo lado financeiro, o preço pago pelo governo também é elevado, seja pelo afastamento dos cidadãos de sua vida produtiva durante o tratamento, ou por sua morte, seja pelo custo financeiro que o próprio tratamento impõe ao sistema de saúde desses países.

    Embora o câncer, após ser diagnosticado, possa ter uma evolução rápida e fatal, o seu desenvolvimento inicial, até se transformar em um tumor pode ser bastante lento, levando até cerca de dois terços do período de uma vida para atingir esse status de tumor e, então, avançar mais rapidamente e consumir a economia orgânica.

    Mas, como surge o câncer? E, o mais importante, podemos fazer algo para retardar, ou mesmo evitar o seu aparecimento? O processo de formação do câncer acontece lentamente ao longo de vários anos, às vezes décadas. Inicialmente, a célula sofre o ataque dos agentes cancerígenos que provocam paulatinamente transformações nos seus genes. Os genes alterados (ou deteriorados) alteram a forma como essa célula se reproduz, transformando-a em uma célula maligna que, ao se reproduzir, transfere as características alteradas às suas células descendentes. Na fase seguinte de instalação da doença ocorre a multiplicação descontrolada e irreversível das células alteradas, o que provoca o aparecimento dos tumores cancerosos.

    O câncer é uma doença degenerativa que envolve várias etapas e múltiplos fatores determinantes, sendo difícil afirmar um único método ou medida como preventiva. As descobertas científicas no campo da biologia nos ensinam que a fase inicial do câncer está associada ao dano no material genético da célula e que muitas vezes isso ocorre devido ao ataque de radicais livres. O que são esses radicais livres? São íons ou moléculas alteradas que têm um elétron desemparelhado em sua órbita externa, tornando-se eletricamente instáveis. Por necessitarem de um elétron que não possuem, interagem com moléculas vizinhas para "roubar" esse elétron e se equilibrarem eletricamente. O problema é que esse processo gera, por sua vez, desequilíbrio em outros íons e moléculas e, assim, leva à formação de uma "reação em cadeia" que altera progressivamente as estruturas moleculares ao redor dos radicais livres iniciais.

    E onde estão esses radicais livres? Estão presentes, para citar as fontes mais importantes, em alimentos industrializados, na poluição ambiental, em agrotóxicos, nos derivados de petróleo utilizados na produção de utensílios domésticos, no cigarro, etc. Também existem dentro do nosso próprio corpo, já que são produzidos, em parte, a partir do oxigênio que respiramos para viver. Quanto a esses radicais endógenos, a sua produção pode ser aumentada durante fases de maior estresse psicológico ou físico, como doenças inflamatórias ou infecciosas, traumas físicos (incluindo cirurgias), desnutrição ou má nutrição e atividades físicas extenuantes.

    Existem substâncias nutrientes, conhecidas como antioxidantes, que têm o poder de atenuar, ou até evitar, a formação e propagação desses radicais livres. Dessa forma, esses nutrientes antioxidantes poderiam reduzir o risco de câncer e seriam considerados como agentes potencialmente quimiopreventivos. 

    Onde estão esses antioxidantes? Na natureza, sob a forma de fitoquímicos, presentes nos mais variados alimentos. O que podemos fazer para reduzir o risco de um câncer é adquirir hábitos mais saudáveis, tanto pessoal como coletivamente, para reduzir a curto, médio e longo prazos, o acúmulo progressivo de lesões intracelulares que possam, finalmente, desencadear o aparecimento e a reprodução desenfreada de células cancerígenas. E podemos iniciar esse processo de uma maneira relativamente fácil, e bem saborosa: nos alimentando de forma mais natural e saudável. Segundo o professor Fernando Moreno, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, a alimentação saudável atuaria naquilo que os médicos chamam de quimioprevenção. "A quimioprevenção nada mais é que usar substâncias químicas que combatem o mal antes da progressão e aparecimento do câncer", explica Moreno. Fazendo isso, por um lado reduzimos o aporte de substâncias nocivas ao nosso organismo e, por outro, introduzimos em nossos corpos determinadas substâncias que ajudam na preservação da saúde de nossas células e no combate ao aparecimento das temidas alterações que levam à formação de células cancerígenas.

    Os alimentos ricos em gordura, açúcares e carboidratos refinados como pães, bolachas, sobremesas elaboradas, margarina e manteiga e carnes vermelhas gordurosas são responsáveis por tornar o sangue mais ácido, inflamando as células e elevando a produção de radicais livres endógenos, e por isso seu consumo excessivo deve ser evitado.

    Os alimentos alcalinizantes, que são as frutas, verduras e legumes, além de leite, cereais integrais e sementes, são capazes de  equilibrar a acidez do sangue, tornando o organismo menos ácido e, portanto, menos propenso a formar radicais livres em demasia. Então o consumo rotineiro de alimentos alcalinizantes favorece a saúde e a desintoxicação do corpo, auxiliando na manutenção do equilíbrio bioquímico do organismo.

    Segue abaixo a relação de alguns alimentos que auxiliam na prevenção e no combate ao câncer (informação compilada por Gabriela Cabral, da Equipe Brasil Escola):

    - Abóbora, cenoura, beterraba, batata-doce, manga e mamão são alimentos ricos em betacaroteno, substância que auxilia o organismo na restauração das células prejudicadas por agentes oxidantes (os chamados radicais livres). Dessa forma, atuam contra os mais variados tipos de tumor.

    - Brócolis, repolho, couve-flor, couve-manteiga, rúcula e espinafre possuem uma substância chamada sulforafane, cuja função no organismo é regenerar e aumentar a resistência do mesmo.

    - Couve-flor, ervilha, goiaba, maçã, melancia, pepino-japonês e o trigo integral são alimentos ricos em fibras que lentamente percorrem o aparelho digestivo aumentando a saciedade e diminuindo o teor de gordura no organismo.

    - Tomate, melancia, pimentão e beterraba são ricos em licopeno, substância que atua sobre os radicais livres impedindo que os mesmos danifiquem as células normais do organismo.

    - Os alimentos probióticos, que contêm bactérias benéficas ao organismo, conseguem fortalecer o sistema de defesa do corpo e ainda combatem úlceras que induzem a formação das células malignas.

    - As sementes oleaginosas, folhas verdes, batata-doce, leite, aveia, peixe e soja são alimentos ricos em alfatocoferol, substância que inibe a ação dos radicais livres no organismo e o crescimento de tumores no pulmão.

    Como textos muito longos podem cansar a mente e confundir o raciocínio, continuaremos essa exposição no próximo texto, onde especificaremos melhor os alimentos mais indicados para ajudar no combate de determinados tipos de câncer. Até lá.