segunda-feira, 7 de maio de 2012

"FITOTERÁPICOS QUE AUXILIAM NO EMAGRECIMENTO"

    A incidência de sobrepeso e obesidade vem aumentando em todo mundo, sendo considerada uma epidemia mundial. A obesidade reduz a qualidade de vida e aumenta o gasto público com pacientes porque está intimamente relacionada com doenças crônicas tais como diabetes e câncer (Calle et al. 2003; Kopelman, 2000). Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a relação do peso (quilograma- Kg) pelo quadrado da altura (em metro-m), denominada como Índice de Massa Corpórea (IMC), é um bom indicador do estado nutricional de uma pessoa. Pessoas com IMC maior ou igual a 25 Kg/m² são classificadas como pessoas com sobrepeso e aquelas com IMC maior ou igual a 30 kg/m² são consideradas obesas (OMS, 2004). Mais confiável que o IMC é o Percentual de Gordura Corporal, indicado pela Bioimpedância, que é considerado saudável quando se encontra entre 10 e 20% para homens adultos e 18 a 28% para mulheres adultas.

    A Fitoterapia constitui, na atualidade, uma área do mercado em desenvolvimento, de reconhecimento legal e com repercussão na saúde publica. Uma das justificativas para esse crescimento do consumo é que mais pessoas tenham o desejo de retornar a uma forma mais natural de vida e há uma convicção crescente de que os produtos naturais são saudáveis e seguros. Mas devemos observar que os fitoterápicos, embora medicamentos naturais, não estão isentos de causar efeitos colaterais, principalmente se utilizados de maneira indevida.

    Falaremos hoje sobre "alguns fitoterápicos com características sacietogênicas".


PHOLIANEGRA

    A PHOLIANEGRA™ é um extrato produzido de plantas do gênero Ilex de origem indígena. Esta extrato padronizado contém entre seus fitoquímicos as metilxantinas, saponinas e pholianegrosides responsáveis por sua propriedade de perda de peso. O mecanismo de desaceleração do esvaziamento gástrico e conseqüente saciedade precoce foram propostos por Andersen & Fogh (2001).

    A PHOLIANEGRA contém também o cafeiol, ácido cafeico e clorogênicos, além de um elevado valor de ORAC que lhe confere propriedades antioxidantes e antiglicantes (Gugliucci, 1996). Os derivados de cafeiol são apontados como os responsáveis pela capacidade antioxidante do extrato (Filip et al., 2001), assim como as saponinas são ditas responsáveis pelo sabor amargo do extrato. Além disso, às saponinas são atribuídas propriedades anti-inflamatórias e hipocolesterolêmicas (Gnoatto et al., 2005). Em relação aos flavonóides, o extrato de Ilex p. é considerado um potente inibidor de radicais livres (Schinella et al, 2005), tendo seu efeito reconhecido tanto in vitro (Gugliucci, 1996) quanto in vivo (Mosimann, 2006). 
Observou-se que a Ilex p., reduz os níveis de colesterol e a gordura abdominal (Pedroso et al, 2010).

    Alguns estudos indicam que o fitoterápico PHOLIANEGRA™ é efetivo em reduzir o peso corporal de modo similar àquela promovida pelo medicamento Sibutramina.



PHOLIAMAGRA

    Coadjuvante natural para auxiliar no tratamento da obesidade, PHOLIAMAGRA® Extrato Seco é um fitoterápico padronizado extraído da planta Cordia ecalyculata Vell (Família botânica: BORAGINACEAE). Trata-se de um arbusto ou árvore pequena, conhecida como bugrinho, café-de-bugre, chá-de-bugre, claraíba, laranja-aperu, laranja-do-mato, limão-do-mato, louro-mole, louro-salgueiro e porrete.

    Cordia ecalyculata contém cafeína, alantoína, ácido alantóico, cloreto de potássio, taninos e óleos essenciais.

    A cafeína é classificada como alcalóide do grupo das xantinas, e possui ação termogênica, que acelera o metabolismo basal e auxilia o organismo a queimar os excessos. A cafeína ainda aumenta a produção de suco gástrico. A ação da cafeína no SNC aumenta a capacidade de atenção, a concentração, o humor, a liberação de catecolaminas, liberação de ácidos graxos livres, catabolização de triglicerídios musculares e redução da fadiga.

    A alantoína favorece a proliferação celular acelerando a regeneração da pele lesada e age nos vasos linfáticos, promovendo uma “drenagem”. É por isso que também auxilia amenizando a celulite. Diurética, auxilia na eliminação do excesso de líquido.

    C. ecalyculata tem as seguintes propriedades: supressora do apetite, diurética, redutora de depósitos de celulite por estimular a circulação, cardiotônica e energizante. Possui alta concentração de ativos como a cafeína e o ácido alantóico. Altas concentrações de cafeína - substância termogênica, estimulante do sistema nervoso central e também por ser levemente diurética, auxiliam na eliminação do excesso de líquido e também a reduzir a concentração de gorduras.

    Além da cafeína, esta planta apresenta quantidades significativas de potássio, que auxilia na compensação da perda de minerais relacionada com a ação diurética. A presença da alantoína e do ácido alantóico pode agir na redução da celulite e da gordura localizada. Seu efeito emagrecedor está associado a uma atividade inibidora no sistema nervoso central, agindo como supressora do apetite, contribuindo para uma maior queima de gorduras localizadas principalmente na região do abdômen.

    É indicada em dietas para a perda de peso (como supressor do apetite); como redutor do excesso de gorduras localizadas; no tratamento da retenção de líquidos e como tonificante muscular.


FENULIFE

    FenuLife® é um extrato padronizado produzido por exclusivo processo patenteado com alta concentração de galactomana do feno grego (Trigonella foenum graecum).A galactomana é um polissacarídeo tridimensional deestrutura ramificada que promove uma ótima capacidade de retenção de água, formando um gel viscoso.

    A galactomana do FenuLife® tem uma estrutura molecular única, na qual toda a molécula de manose é substituída por uma galactose. Essa estrutura molecular estável dá ao FenuLife® sua persistente atividade de ligação com a água no estômago e intestino, além de trabalhar mais rapidamente que outras fibras. Como FenuLife® apresenta uma incomparável capacidade de retenção de água, promove um efeito de “saciedade” no estômago e uma diminuição do esvaziamento gástrico.

    Auxilia no controle de peso: sensação de saciedade ou plenitude gástrica; auxilia no controle do índice glicêmico: diminui a velocidade do esvaziamento gástrico e consequentemente, a absorção de glicose; auxilia na prevenção do refluxo gastroesofágico (azia) diminui a produção excessiva de ácido e a massa viscosa impede que o suco gástrico volte até o esôfago.


FABULESS

    Fabuless® é um medicamento inovador, fabricado a partir de óleo de palma e aveia e comercializado em forma de um pó solúvel. A microestrutura de Fabuless foi desenvolvida para retardar a digestão das gotículas de óleo de palma no estômago e no intestino delgado. As gotículas passam relativamente intactas através da primeira parte do trato digestório para a parte distal do intestino delgado, o íleo. A gordura não digerida no íleo faz com que o indivíduo se sinta confortavelmente satisfeito. Este mecanismo de sinalização, também conhecido como "mecanismo de freio ileal", envolve o aumento dos níveis do hormônio da saciedade GLP-1 (Glucagon-like peptide-1), e causa um efeito sacietógeno, que comprovadamente faz comer menos. A composição de Fabuless é digerida normalmente mais adiante no íleo. Em outras palavras, ele prolonga o tempo em que uma pessoa leva para ficar novamente com fome novamente após fazer uma refeição, além de agir na quantidade de alimentos ingerida nas próximas refeições.

    Alguns estudos creditam ao Fabuless as seguintes propriedades:

    - Aciona o mecanismo de controle natural do apetite;

    - Aumenta a saciedade;

    - Reduz o apetite e o consumo calórico;

    - Reduz a circunferência abdominal e a gordura corporal;

    - Eficaz na redução e manutenção do peso corpóreo;

    - Efeitos duram de 4 a 8 horas, podendo se estender por mais tempo.

sexta-feira, 16 de março de 2012

"BUPROPIONA + NALTREXONA"
UMA ALTERNATIVA PARA O EMAGRECIMENTO

    Combinamos, no nosso último texto, de falar sobre o tratamento da Menopausa mas, em virtude da grande procura por informações sobre medicamentos para auxiliar na perda de peso, resolvemos intercalar um informativo sobre as mais recentes descobertas sobre drogas usadas para controle de peso.

    Após a proibição de quase todos os medicamentos utilizados no tratamento da Obesidade e do Sobrepeso, restaram poucas opções aos médicos da área e seus pacientes sobrepesados. Nem todos os pacientes conseguem usar Sibutramina ou Orlistat por longos períodos, ou suportar seus efeitos colaterais. E várias pessoas têm contra-indicações ao uso desses medicamentos.

     Vários fitoterápicos, como Slendesta, Citrus aurantium, Pholiamagra, Pholia negra, Garcínia, Cassialamina e Faseolamina, por exemplo, atuam como bons coadjuvantes no emagrecimento, mas existem aquelas pessoas nas quais eles causam pouco ou nenhum efeito. São aquelas que apresentam compulsão alimentar. Os mecanismos cerebrais de controle de apetite que, quando alterados, levam à compulsão alimentar parecem ser resistentes, em maior ou menor grau, à ação dos fitoterápicos.

    Imaginem pessoas que não podem, ou não conseguem, usar Sibutramina ou Orlistat, seja por terem alguma contra-indicação ao uso destas, ou por não suportarem os efeitos colaterais que acompanham o seu uso. Imaginem também que essas pessoas não têm uma boa resposta aos fitoterápicos (não porque sejam medicamentos  "fracos", mas porque não conseguem tratar a compulsão alimentar dessas pessoas). Fica complicado para médicos e pacientes, não?

    Uma boa notícia chegou ao meio médico, com relação ao tratamento desses pacientes. Durante alguns anos foram conduzidos estudos em busca de outras substâncias que pudessem atuar eficazmente como auxiliares no emagrecimento e que apresentassem menores efeitos colaterais. Entre essas substâncias, estudou-se a Bupropiona e a Naltrexona.

    A Bupropiona é um inibidor da recaptação de Dopamina e Norepinefrina, atualmente utilizada no tratamento de depressão e como coadjuvante da cessação do tabagismo. Seu efeito como agente redutor de peso quando usada de forma isolada já foi testado previamente, obtendo resultados apenas modestos. A Naltrexona é um antagonista de receptor opióide, inicialmente aprovado como tratamento da dependência aos opiáceos e, posteriormente, da dependência ao álcool. Estudos realizados em pequeno número de pacientes com a Naltrexona em monoterapia (usada de forma isolada) como agente antiobesidade foram frustrantes, mostrando pouca ou nenhuma redução do peso corporal ¹. Ou seja, quando usadas isoladas, essas substâncias mostraram efeitos modestos, ou nenhum efeito no tratamento do Sobrepeso e da Obesidade.

    Mas a associação das duas, que vem sendo estudada há alguns anos como potencial agente no tratamento da Obesidade, mostrou resultados diferentes. Apesar de essas drogas apresentarem pouca eficácia quando utilizadas isoladamente, o efeito sinérgico da sua associação realmente ajuda a perder peso. Seu mecanismo de ação se dá através das vias de regulação central e periférica do apetite.

    A ação da Bupropiona se dá através do aumento dos níveis de Dopamina e Norepinefrina, estimulando a atividade de determinados neurônios hipotalâmicos (localizados no núcleo do Hipotálamo, no Cérebro) cuja ação leva ao aumento do gasto energético e à redução do apetite. Teoricamente, então, a Bupropiona seria bastante eficaz na redução e no controle do peso. O problema com essa medicação é que uma das substâncias estimuladas pela Bupropiona, chamada Beta-endorfina (que é um opióide), age causando uma auto-inibição dos mesmos neurônios hipotalâmicos estimulados inicialmente pela Bupropiona e, em última análise, dos mecanismos cerebrais de ação da mesma, acabando por inibir parte da sua ação e reduzindo, assim, seus efeitos. Daí o resultado modesto da Bupropiona no tratamento da Obesidade e do Sobrepeso.

     Como a Naltrexona, sendo um antagonista de receptores opióides, inibe a ação dos receptores celulares para a Beta-endorfina, ela impede a sua ação inibitória sobre os neurônios hipotalâmicos, o que potencializa os efeitos da Bupropiona no emagrecimento. Resumindo, as duas substâncias agem de forma sinérgica, somando os seus efeitos e auxiliando a inibir os mecanismos centrais (cerebrais) de aumento do apetite ².

    Os estudos envolvendo Bupropiona e Naltrexona como terapia combinada para o tratamento de Obesidade e Sobrepeso mostrou resultados importantes:

- redução da circunferência da cintura;
- elevação do HDL-Colesterol (Colesterol "bom") e redução do LDL-Colesterol (Colesterol "ruim");
- redução da Glicemia de Jejum;
- aumento transitório da Pressão Arterial Sistólica no início do tratamento, voltando a mesma aos valores iniciais após aproximadamente 2 meses de tratamento;
- redução consistente do peso.

    Concluindo, a associação Bupropiona/Naltrexona pode ser bastante útil no tratamento da Obesidade e do Sobrepeso, especialmente naqueles pacientes com compulsão alimentar, que apresentam dificuldade em controlar o seu desejo por alimentos e acabam por desistir do tratamento. É essencial lembrar, porém, que quaisquer medicamentos utilizados para redução e controle de peso não dispensam a necessidade de seguir uma dieta balanceada e praticar atividade física regularmente.

Um grande abraço para todos,

Paula Figueirêdo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

¹ Greenway FL, Fujioka K, Plodkowski RA, Mudaliar S, Guttadauria M, Erickson r, Kim DD, Dunayevich E. Effeet of naltrexone plus bupropion on weight loss in overweight and obese adults (COR-I): a multicentre, randomised, double-blind, placebo-controlled, phase 3 trial, Lancet. 2010 Aug 21;376(9741):595-605. Epub 2010 Jul 29. Disponível em: http://mail.elsevier-alerts.com/ AEM/Clients/ELAOO 1/ Articles/nutrition_effect.pdf Acessado em: 28/07/2011.

² Billes SK, Greenway FL. Combination therapy with naltrexone and bupropion for obesity. Expert Opin Pharmacother. 2011

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

MENOPAUSA - FISIOPATOLOGIA E SINTOMAS

                Nesse segundo texto sobre Climatério e Menopausa, abordaremos a sua fisiopatologia, ou seja, quais as mudanças pelas quais passa o organismo feminino, o porque delas e quais problemas podem advir dessas mudanças. O grande responsável pelos sintomas que as mulheres apresentam no Climatério e após a Menopausa é a redução significativa e progressiva do hormônio Estradiol durante o processo de involução dos ovários. O Estradiol é um hormônio essencial ao corpo humano feminino, com mais de 400 funções anabólicas e de reparo. Com a redução, e posterior pausa da função ovariana de produzir Estradiol, as mulheres passam a apresentar diversas queixas, tanto físicas como psicológicas.
                O Estradiol tem ações importantes do aparelho circulatório feminino, na manutenção da saúde cardiovascular da mulher. Ele auxilia:
- na manutenção da elasticidade normal das artérias,
- na dilatação dos microcapilares e manutenção do fluxo sanguíneo,
- na inibição da agregação plaquetária,
- na redução da deposição das placas de ateroma, na redução do LDL-Colesterol e na inibição da sua oxidação,
- no aumento do HDL-Colesterol,
- na redução da Lipoproteína A, da Homocisteína e da Proteína C Reativa,
- no bloqueio dos canais de Cálcio, ajudando a manter a permeabilidade arterial.
                A redução, e posterior ausência, dessas ações do Estradiol durante o Climatério e após a Menopausa podem levar a:
- aumento do risco para doenças cardiovasculares como Hipertensão Arterial, Ateromatose e Acidentes Vasculares isquêmicos,
- palidez cutânea, mais facilmente observada na face.
                Com relação aos Sistemas Ósteoarticular, Muscular e Cutâneo, são as seguintes as ações do Estradiol:
- estimula a síntese de Miosina e previne o catabolismo muscular,
- mantém as concentrações fisiológicas de Colágeno na pele, contribuindo para a sua firmeza e elasticidade,
- mantém a hidratação natural da pele,
- mantém a densidade mineral óssea.

                Consequentemente, a falta de Estradiol durante Climatério e após a Menopausa pode levar a:
- perda de massa muscular, levando a flacidez muscular e à queda progressiva da Taxa Metabólica, o que também pode contribuir para o ganho de peso por acúmulo progressivo de gordura corporal,
- flacidez da musculatura abdominal e dores nas costas,
- flacidez da musculatura da bexiga com consequente urgência urinária,
- flacidez, atrofia, redução da hidratação e enrugamento da pele,
- redução da densidade mineral óssea, com perda de massa óssea (Osteopenia e Osteoporose) levando a aumento do risco de fraturas espontâneas e/ou provocadas por traumas, e reabsorção progressiva dos ossos Maxilar e Mandibular com consequente amolecimento e perda de dentes.
                O Estradiol ajuda a melhorar a Resistência Insulínica; sua queda, portanto, leva à Resistência Insulínica elevada, com estímulo para o aparecimento de Diabetes melito do tipo 2, Sobrepeso e Obesidade, acúmulo de gordura visceral e aumento do Risco cardiovascular.
                O Estradiol atua no Sistema Nervoso Central (SNC), ajudando a regular a temperatura corporal; sua deficiência leva ao aparecimento dos "fogachos" (ondas de calor súbitas e incontroláveis que ocorrem durante Climatério e até alguns anos após ocorrer a Menopausa).
                Em relação ao SNC, outras ações desse hormônio são:
- melhora o fluxo sanguíneo cerebral,
- estimula o sono REM 2,
- aumenta a produção dos NGF (Nerve Growth Factors),
- melhora o humor e eleva a capacidade de concentração,
- é um poderoso indutor da síntese de Serotonina, eliminando a irritabilidade e agindo como antidepressivo e ansiolítico,
- reduz a sensibilidade à dor.
                Sua falta, portanto, pode levar a:
- alterações do humor, com tendência a Depressão e/ou Irritabilidade,
- insônia ou sono leve, interrompido e não reparador,
- lapsos ou déficit importante de memória, redução das habilidades motoras finas e da criatividade.
                O Estradiol é responsável pelo desenvolvimento dos caracteres sexuais secundários da mulher e também auxilia na manutenção da libido e da sensualidade feminina. Sua queda leva a:
- flacidez (queda) e achatamento das mamas,
- diminuição e achatamento dos mamilos,
- pelos corporais e púbicos se tornam mais grossos e escuros,
- perda de volume e redução do brilho dos cabelos,
- ressecamento e atrofia da mucosa vaginal, que pode levar a Dispareunia (dor ou desconforto durante as relações sexuais) e prurido vaginal,
- alteração da silhueta corporal, com perda do padrão de deposição de gordura corporal feminino (ginecóide) e mudança para um padrão de distribuição de gordura mais masculino (andróide), com afinamento de coxas e quadris,   alargamento da cintura, e face menos arredondada e mais angulosa.
- alteração do timbre de voz mais suave e agudo, feminino, para outro mais grave, masculino.
                 Continuaremos a falar sobre a Menopausa no próximo texto, que abordará o seu tratamento.

                   Paz e Saúde para todos,
                                                    Paula Figueirêdo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

EXISTE "VIDA" APÓS A MENOPAUSA?


            Embora esse texto esteja voltado basicamente ao público feminino, é importante que os homens o leiam, se tiverem interesse em obter maiores informações e uma melhor idéia do organismo e do Universo femininos e de como os hormônios interferem neles. Desejo a todos uma boa leitura.

                Na realidade, para fazer jus a esse texto e a nós, mulheres modernas e batalhadoras, seria melhor o título Existe "vida" antes de e após a Menopausa? A mulher de hoje tem uma vida realmente corrida, na falta de um termo que melhor descreva o nosso cotidiano. Nós, mulheres, somos treinadas, adestradas mesmo, desde a infância, a realizar atividades múltiplas durante várias horas do dia. Quando na adolescência, a essas horas diurnas somam-se mais algumas horas noturnas de atividades variadas. E assim, quase sem percebermos, os anos vão passando. As atividades mudam. A escola cede lugar à Universidade e, então, ao mercado de trabalho. Das aulas de educação física, esportes e dança na escola, passamos a frequentar academias de musculação, estúdios de Pilates e quadras de vôlei, tênis, ou vamos simplesmente caminhar ou correr alguns dias na semana. Ou, para as mais "zen", aulas de Yoga ou Tai Chi.

             Enfim, crescemos. E as atividades, também. Os compromissos só aumentam. Aí, conhecemos alguém interessante, nos apaixonamos e resolvemos casar. Então vêm os filhos, a responsabilidade de cuidar de uma casa e precisamos "dilatar" mais ainda o nosso dia para dar atenção ao marido e aos filhotes. Mas as mulheres são realmente fortes e "multifuncionais". E precisam ser, já que agora a rotina envolve o trabalho, os filhos, o marido, a casa, a academia, os pais, irmãos, sogros, cunhados, sobrinhos, netos, às vezes uma grande família, amigos, etc. E ainda precisamos achar tempo (não sei como) para acomodar os acontecimentos imprevistos e a vida social. Pasmem, ainda conseguimos ter vida social! 

                Nunca fui muito boa em Matemática, mas nem é preciso ser, para perceber que é necessário sacrificar alguma coisa na nossa vida, de modo a poder acomodar tudo o que é necessário, ou que consideramos importante, fazer no nosso dia-a-dia. O que nós costumamos sacrificar, e perder, é geralmente nessa ordem: as horas de lazer, os horários reservados para as refeições com a família e as horas noturnas necessárias para um sono reparador. Nos tornamos mulheres-robôs, mais ou menos eficientes; acordamos pela manhã, pulamos da cama (algumas literalmente se arrastam penosamente para acabar de acordar debaixo do chuveiro gelado), engolimos alguma coisa (ou não), engatamos o piloto automático e, lá vamos nós. Damos um beijinho no marido, levamos os filhos para a escola, mergulhamos no trabalho, pulamos o almoço (algumas de nós ainda conseguem almoçar, outras só lancham, e outras, nem isso), pegamos os filhotes na escola (ou pedimos a alguém para fazer isso por nós), voltamos a trabalhar e, quando encerramos o expediente... voilá! levamos mais trabalho para casa. E não podemos esquecer da academia,  senão "cai" tudo!
 
                 A noite realmente é um show à parte, o malabarismo da vida real, digno dos melhores artistas circenses, onde temos que equilibrar a atenção aos filhos, ao marido, à casa, à refeição (talvez), ao trabalho e, se sobrar um tempinho, dormimos um pouco para nos preparar para um novo dia (que de novo não tem nada) onde repetiremos tudo e ainda encaixaremos qualquer coisa que não conseguimos fazer no dia anterior. Fiquei cansada só de descrever a cena! Peço licença para divagar um pouquinho, contando uma história que ilustra bem o malabarismo da vida real. Eu tive uma paciente, há alguns anos atrás, de quem eu confesso que tinha uma grande inveja (branca, claro) do seu grau de doação (e também de energia). Ela chegava em casa no final de um dia corrido e de muito trabalho (era engenheira civil e acompanhava o andamento de diversas obras), dava o jantar para as duas filhas pequenas, tomava banho junto com elas, vestia o pijama e deitava com as filhotas, contava historinhas e rezava com as meninas, e as colocava para dormir, ficando deitada com elas até que as mesmas caíssem no sono, por volta das 20, 21 horas. Então, ela se levantava, trocava de roupa e ia malhar na academia. Dá para imaginar a cena? Eu lembro de ter perguntado o porque de tudo isso e de ela me responder, na maior simplicidade, que não queria que as filhas pensassem que ela estava longe delas enquanto elas dormiam. Não tenho palavras que façam justiça à capacidade de doação dessa mãe e mulher.

                É incrível, inverossímel até, mas nós vivemos assim. Temos energia para levar a vida dessa maneira acelerada sentindo, às vezes, não mais que um pouco de cansaço, algum desconforto, uma dorzinha aqui, outra acolá. E isso por vários e vários anos. É a nossa vida e achamos normal vivê-la assim. Os anos passam e nós continuamos firmes, fortes e prontas para "ir à luta", algumas com um pouco mais, ou menos, de vigor que outras. Mas uma das Leis da Natureza é a da Impermanência e, assim, as coisas mudam insidiosamente ao longo dos anos. 

                Outra coisa que nós perdemos, e que eu omiti propositadamente acima, é a noção do Tempo. Não do diuturno, de curto prazo, como dia e noite, dias e semanas. Mas o de longo prazo, a contagem dos anos. Enquanto nos envolvíamos (ou, para algumas de nós, nos revolvíamos) na nossa rotina "fórmula 1", o tempo passou. De repente, não nos sentimos mais tão fortes ou motivadas, ou tão firmes e equilibradas. Começamos a sentir cansaço fácil, a memória começa a falhar, passamos a dormir menos (não por falta de tempo, mas por falta de sono), a nossa paciência é drasticamente reduzida, o nosso corpo começa a mudar (parece que quanto menos comemos, mais engordamos), podemos nos sentir melancólicas e desanimadas. A maioria de nós pode associar esses acontecimentos ao Estresse Crônico (o que, de fato, pode ser verdade em muitos desses casos), mas muitas mulheres só se apercebem que o tempo realmente passou quando os ciclos menstruais começam a sofrer alterações. No início, podem ser alterações discretas e passar desapercebidas, mas elas evoluem até que os ciclos mensais começam a falhar. É o sinal característico da chegada do Climatério, arauto da Menopausa.

                Mas, o que é Climatério? E Menopausa? Porque ela, se ainda não chegou para várias de nós, vai inexoravelmente chegar? E, mais importante, como conviver, e viver bem, com as mudanças trazidas pelo Climatério, e após passar pela Menopausa? Sim, porque não é absolutamente necessário sofrer os mal-estares ligados a essas mudanças passivamente. Podemos, e devemos, tratar esses sintomas e manter nossa Saúde e Bem Estar, mesmo sendo senhoras "menopausadas".

                Dizer que o Climatério e a Menopausa acontecem porque envelhecemos é um modo simplista de colocar os fatos, já que começamos a envelhecer bem antes disso, mas é a verdade. Vamos tentar entender as mudanças que acontecem internamente em nossos organismos, que levam a esse "divisor de águas" em nossa qualidade de vida.

                Nós produzimos vários hormônios, substâncias que funcionam como sinalizadores químicos para que os nossos órgãos possam exercer suas funções fisiológicas, ou seja, de modo equilibrado. Alguns desses hormônios são o Hormônio Folículo Estimulante (FSH), o Hormônio Luteinizante (LH), os Estrogênios e Progestogênios que exercem, entre outras funções, as de manter e regular os ciclos menstruais. A Hipófise, uma pequena glândula neuroendócrina localizada no cérebro, produz o FSH e o LH, enquanto os ovários respondem a esses estímulos produzindo Estrogênios e Progestogênios. Vamos simplificar esse detalhe nos referindo, a partir de agora apenas ao Estrogênio e ao Progestogênio principais para a construção do nosso raciocínio: o Estradiol e a Progesterona.

                Não vamos entrar em detalhes sobre o ciclo menstrual, para não alongar desnecessariamente o texto. Podemos resumir dizendo que Estradiol e Progesterona têm a função de preparar o útero para receber um óvulo fecundado por um espermatozóide (chamado, a partir de então, de ovo) e desenvolver uma gestação. Para isso, o endométrio (camada interna do útero) se espessa e fica repleto de vasos sanguíneos (ação do Estradiol), para garantir que o óvulo fecundado possa aí se desenvolver e gerar um novo ser (ação da Progesterona). Quando a fecundação não ocorre e a mulher não engravida, sinais químicos ordenam a queda da Progesterona, o que causa o colapso e a ruptura dos vasos sanguíneos no endométrio, e o seu descolamento e posterior eliminação através do canal vaginal, processo conhecido como menstruação. Esse ciclo se repete mensalmente, em períodos mais ou menos regulares, durante a nossa chamada "vida fértil", iniciando com a Menarca (primeira menstruação, marca o início da puberdade) e finalizando com a Menopausa. 

                Bem, a partir dos 30 anos de idade, embora não nos apercebamos, começam a ocorrer discretas alterações na produção desses hormônios e, então, iniciamos o processo lento e inexorável de envelhecimento celular. Esse processo ocorre em todos os órgãos e glândulas do corpo gerando, com o tempo, sinais internos e externos da queda das suas funções. Falando em particular sobre os ovários, como temos uma reserva funcional geralmente boa, essas alterações podem se desenvolver por até duas décadas antes de percebermos os sinais físicos da sua senescência, ou seja, as alterações no ciclo menstrual. O Climatério é justamente esse período, onde aparecem as alterações nos ciclos mas nós permanecemos menstruando, pois os níveis dos hormônios Estradiol e Progesterona já estão alterados o suficiente para que os ciclos fiquem irregulares.

                As alterações laboratoriais que caracterizam essa fase da nossa vida são a elevação progressiva dos hormônios hipofisários FSH e LH, e a queda, também progressiva dos hormônios ovarianos Estradiol e Progesterona.

                O Climatério pode durar vários anos, dependendo da velocidade de envelhecimento dos ovários, podendo se extender dos 45 até os 55, 60 anos de idade. Durante essa fase, os ovários vão perdendo lentamente a capacidade de produzir seus hormônios até finalmente atrofiarem e pararem de funcionar. A mulher tem, então, a sua última menstruação fisiológica, que é a Menopausa.

                Embora a principal característica da Menopausa seja a ausência de ciclos menstruais, esse não é o problema mais importante (na realidade, para a maioria de nós, mulheres, a ausência das menstruações é até bem vinda). As mudanças fisiológicas que ocorrem durante o Climatério e após a Menopausa, e que podem predispor ao aparecimento e/ou agravamento de diversas patologias, é que são o verdadeiro problema.

           Segue aqui uma breve relação dos sinais físicos e psicológicos relacionados ao Climatério e à Menopausa, os quais serão explicados mais detalhadamente no próximo texto:

                - irregularidades menstruais

                - alterações da libido

                - alterações do humor

                - alterações do contorno corporal

                - alterações do padrão de sono

                - ondas de calor

                - atrofia dos órgãos genitais primários e secundários

                - sinais externos de envelhecimento acelerado

                No próximo texto veremos as principais ações fisiológicas dos hormônios Estradiol e Progesterona e o que ocorre conosco quando não os produzimos mais, assim como a importância da sua reposição e os métodos mais indicados atualmente.

               Até o nosso próximo encontro.

               Um grande abraço para todos(as) e votos de Saúde e Paz,

               Paula Figueirêdo.